<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4638777938346843032</id><updated>2011-04-21T14:31:03.478-07:00</updated><title type='text'>O quarto das horas</title><subtitle type='html'>Romance infanto-juvenil</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://oquartodashoras.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4638777938346843032/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquartodashoras.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Alfredo Alves Albuquerque</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08253403715219552639</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_x4jZGgZZeaA/SahqkPCJ4rI/AAAAAAAAACY/FHPWiO9Und8/S220/EuPar.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>4</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4638777938346843032.post-7436720197085595979</id><published>2007-07-04T05:21:00.001-07:00</published><updated>2007-08-07T05:04:55.766-07:00</updated><title type='text'>Apresentação</title><content type='html'>“O quarto das horas” é um romance infanto-juvenil editado de forma independente em 2007 e que aborda o universo nonsense dos sonhos. Aqui estão publicados os três primeiros capítulos. Para entrar contato com o autor o e-mail é &lt;a href="mailto:alfredoalbuquerque@gmail.com"&gt;alfredoalbuquerque@gmail.com&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4638777938346843032-7436720197085595979?l=oquartodashoras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquartodashoras.blogspot.com/feeds/7436720197085595979/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4638777938346843032&amp;postID=7436720197085595979' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4638777938346843032/posts/default/7436720197085595979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4638777938346843032/posts/default/7436720197085595979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquartodashoras.blogspot.com/2007_07_01_archive.html#7436720197085595979' title='Apresentação'/><author><name>Alfredo Alves Albuquerque</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08253403715219552639</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_x4jZGgZZeaA/SahqkPCJ4rI/AAAAAAAAACY/FHPWiO9Und8/S220/EuPar.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4638777938346843032.post-1307755775935483086</id><published>2007-07-04T05:10:00.000-07:00</published><updated>2007-07-04T05:11:45.876-07:00</updated><title type='text'>A falta de sono</title><content type='html'>No meio de uma noite mais escura que as outras Leon se levantou sem perceber que estava sonhando. Abriu a janela por causa do calor e encontrou o céu. Não havia nuvens, estrelas nem lua. Voltou para a cama e olhou o quarto à sua volta. Tudo estava onde deveria estar. Virou-se na direção da janela e pensou no quanto era estranho um céu totalmente negro, sem nuvens, estrelas ou lua. Mas não chegou a achar aquilo absurdo. Somente estranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leon fechou os olhos e tentou se lembrar dos sonhos que sonhara nas noites anteriores. Lembrou-se de ter flutuado, quase voado, há dois dias, talvez três, deslizando para a frente com os pés um palmo acima da água. Era um sonho recorrente. Sempre que sonhava que estava flutuando, quase voando, deslizava em linha reta sobre as águas planas de um lago. Nunca passava por ruas, jardins ou casas, era sempre sobre um lago sem obstáculos e, por isso, gostava tanto daquele sonho, porque nada o impedia de ir em frente, sentindo no corpo o sopro macio do vento, ou o sol na pele, como um abraço confortável que não sufocava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrou-se também de um outro sonho em que era ameaçado por garotos da escola. Alguns davam tapas em sua cabeça, outros gostavam de deixar pontapés em sua canela, e outros morriam de rir do desespero que sentia quando jogavam marimbondos sobre ele. Leon tinha medo de todos. Porém, quando ficava com medo, ficava também com raiva e desejava que os garotos sumissem. Então acontecia a mágica dos sonhos: alguns explodiam, outros saíam correndo e outros simplesmente desapareciam no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E acabou se lembrando do sonho que teve com Elisa, a menina de quem gostava e que o fazia sentir-se esquisito toda vez que estava por perto. No sonho ela o abraçava em silêncio e o embalava com o vai e vem de sua respiração. E o sonho era só isso. Mas era tudo o que Leon queria de um sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordado, as coisas aconteciam de um modo diferente. Para começar, não podia flutuar e, como ainda não tinha autonomia, não podia nem pensar em ir onde quisesse. No máximo passava do quarto para a sala, ia ao banheiro, à cozinha, a outro quarto, ou saía no quintal. Fora de casa, todas as tentativas de se afastar do olhar dos pais acabavam em gritaria. A mãe gritava porque o filho tinha sumido. O pai gritava porque não gostava dos gritos da mãe. E as pessoas gritavam chamando por ele. Até que, atraído pela barulheira, Leon acabava reaparecendo e era o único a ficar em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto aos garotos que lhe metiam medo, Leon não fazia nada. Sentia-se como uma estátua que não consegue se mover. Gostaria que nenhum deles existisse. Mas eles continuavam existindo e o assustavam porque pareciam mais fortes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quanto a Elisa, ela era, na vida real, apenas um desejo distante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4638777938346843032-1307755775935483086?l=oquartodashoras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquartodashoras.blogspot.com/feeds/1307755775935483086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4638777938346843032&amp;postID=1307755775935483086' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4638777938346843032/posts/default/1307755775935483086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4638777938346843032/posts/default/1307755775935483086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquartodashoras.blogspot.com/2007_07_01_archive.html#1307755775935483086' title='A falta de sono'/><author><name>Alfredo Alves Albuquerque</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08253403715219552639</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_x4jZGgZZeaA/SahqkPCJ4rI/AAAAAAAAACY/FHPWiO9Und8/S220/EuPar.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4638777938346843032.post-4136267618097040170</id><published>2007-07-02T20:31:00.000-07:00</published><updated>2007-08-07T04:54:50.845-07:00</updated><title type='text'>A coisa parecida com barata</title><content type='html'>Assim, deitado no escuro de seu quarto, olhando as manchas no teto, pensando na morte da bezerra, cutucando o furo do edredom, pensando estar acordado, Leon decidiu sair da cama e foi até a escrivaninha. Ligou o computador, abriu um jogo, tirou o som e começou a ocupar a noite com a Batalha Espacial III. Em silêncio imaginava que seus pais jamais desconfiariam que estava no meio de uma guerra intergalática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite, o máximo que conseguiu foi ficar em sétimo lugar atrás do recorde alcançado por ele mesmo numa manhã inspirada de sábado, dois meses antes. Por mais que tentasse, não conseguiu vencer a si próprio. Por isso, após destruir cinqüenta e sete naves inimigas (o que era pouco para a Batalha Espacial III), manobrou sua nave, batizada por ele mesmo de Egotripa, e aterrissou no terceiro sol da galáxia alfabetagama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Quem deu autorização para aterrissar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz veio de dentro de sua própria cabeça. Como tinha de responder para si próprio, Leon apenas pensou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eu mesmo! O jogo é meu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Engano seu. O jogo é de uma empresa que fabrica jogos de computador. E tudo o que você faz já está programado e previsto pelas pessoas que criaram o jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz saiu de dentro da cabeça de Leon, passou por seu nariz no momento em que ele expirou, virou uma fumaça cinza e se transformou numa barata do tamanho da palma de uma mão. Uma barata estranha, colorida, com desenhos diferentes em cada asa, as antenas iguais às de uma televisão e todas as patas calçadas com tênis, cada um de uma marca diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Será que eu poderia tirar esses tênis? Eles são menores que meus pés e estão me matando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Fique à vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a barata terminou, Leon fez uma observação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Você é uma barata bem diferente! - disse, colocando o dedo indicador sobre uma das antenas e percebendo que ela encolhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Como assim, diferente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Diferente. Eu nunca tinha visto nada parecido com você. Nem parece que é uma barata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E quem foi que disse que eu sou uma barata? Isso para mim é quase uma ofensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Você é o quê, então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eu apenas me pareço com uma barata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Você não respondeu a minha pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– O que eu sou não interessa. O que eu pareço ser é que o que importa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Mas se você se parece com uma barata, por quê ficou ofendido por eu ter te confundido com uma delas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Porque eu não sou uma delas. Elas são nojentas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Então por quê você escolheu se parecer com uma barata?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Para chamar a atenção. É assim que as coisas funcionam no meu ramo de atividade. Você leu as minhas asas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coisa parecida com barata virou-se e Leon tentou decifrar os desenhos. Percebeu que eram letras coloridas. Numa das asas estava escrito: "Momo" e logo abaixo: "O sabão que deixa o preto mais branco". Na outra, leu: "Pó de cola. O refrigerante colante".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Isso é propaganda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Isso o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Os desenhos nas suas costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Isso é conhecido como Publicidade Intercalante Dinâmica, hic!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Publicidade Intercalante Dinâmica hic?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Sem o hic. O hic foi apenas um soluço, hic. É que eu tomei duas doses de batida de naftalina durante o vôo até aqui. Você por acaso não teria em sua adega uma garrafa de batida de naftalina?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– É claro que não! Eu sou menor de idade e a lei não permite que eu consuma bebidas alcoólicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Quer dizer que batida de naftalina é uma bebida alcoólica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Deve ser, afinal você me parece uma barata bem tonta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E Pó de Cola?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Isso eu não conheço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Como não conhece? Todo mundo conhece Pó de Cola! Bebe-se Pó de Cola na China e no Afeganistão, passando por Cuba, Canadá, Angola e Casaquistão. O mundo inteiro se alimenta de sanduíches PlastiDonalds com Pó de Cola. Existem fábricas de Pó de Cola até onde Judas perdeu as botas! Os fabricantes gastam uma fortuna com Publicidade Intercalante Dinâmica para fazer com que o mundo inteiro nunca se esqueça do Pó de Cola, e você vem me falar que não conhece?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– O que é mesmo Publicidade Intercalante Dinâmica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– É uma expressão cujo sentido se parece com propaganda mas é diferente, entendeu? É sinônimo de Elefante Falante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Elefante Falante?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– É! Elefante Falante! Que é a mesma coisa que propaganda e que Elixir Paregórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eu não estou entendendo nada. Eu não acho que propaganda seja a mesma coisa que Elixir Paregórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Acontece que as palavras são minhas e significam o que eu quiser que signifiquem. Se eu quiser que prisão seja sinônimo de casa, o lugar é meu e eu faço o que quiser com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Tá legal. Mas me explique uma coisa. Por que é que baratas têm rabo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– É mesmo? Eu não sabia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eu estou vendo um rabo enorme na sua traseira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Isso é um fio para se ligar na tomada. E eu não sou uma barata!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Se eu ligar esse fio na tomada você não vai levar um choque?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não. Eu vou acender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leon então pegou o fio e o enfiou na tomada ao lado do computador. No mesmo instante, a coisa parecida com barata começou a piscar, iluminando alternadamente a asa esquerda e a direita, como um painel luminoso de hotel de beira de estrada. A cada asa que se acendia, a coisa parecida com barata engrossava a voz e dizia: "Momo: O sabão que deixa o preto mais branco", ou "Pó de Cola, o refrigerante colante". Quando Leon se cansou, tirou o fio da tomada e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eu acho que você trocou as falas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Quando você iluminou a propaganda do Pó de Cola, você falou do sabão Momo. E vice versa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Foi culpa do contra-regra que faz tudo ao contrário das regras e trocou as trilhas sonoras. De qualquer maneira os patrocinadores não se importam pois são donos de todas as empresas. Veja meus tênis, por exemplo. Cada um é de uma marca diferente. Só que todos são fabricados pela mesma empresa. Eles fazem isso para o comprador pensar que tem opções de escolha. Entendeu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Mais ou menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– São questões de mercado. Nem mesmo eu entendo direito. Só sei que somos enganados o tempo todo e não nos importamos com isso. Aliás, você não gostaria de experimentar Pó de Cola? É refrescante, estimulante, alucinante, impactante, desconcertante e faz bem à saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Muito obrigado. Agora eu não estou com sede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Mas você não precisa estar com sede para beber Pó de Cola. Basta querer experimentar uma sensação incrível de prazer refrescante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Você é quem sabe. De qualquer modo já cumpri o meu papel aqui que é o de ser visto, deixando impressões subliminares na mente do consumidor. Preciso ir embora. Tchau!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim, sem mais nem menos, saiu voando pela janela do quarto que estava aberta e através da qual Leon agora podia ver uma lua minguante em forma de uma unha cortada que apareceu no céu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4638777938346843032-4136267618097040170?l=oquartodashoras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquartodashoras.blogspot.com/feeds/4136267618097040170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4638777938346843032&amp;postID=4136267618097040170' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4638777938346843032/posts/default/4136267618097040170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4638777938346843032/posts/default/4136267618097040170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquartodashoras.blogspot.com/2007_07_01_archive.html#4136267618097040170' title='A coisa parecida com barata'/><author><name>Alfredo Alves Albuquerque</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08253403715219552639</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_x4jZGgZZeaA/SahqkPCJ4rI/AAAAAAAAACY/FHPWiO9Und8/S220/EuPar.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4638777938346843032.post-8340881088232504636</id><published>2007-07-02T20:20:00.000-07:00</published><updated>2007-07-02T20:30:44.881-07:00</updated><title type='text'>O Papai Noel de sunga</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_x4jZGgZZeaA/RonCswWJRGI/AAAAAAAAABI/UDwk8o__lzc/s1600-h/Livro03.jpg"&gt;&lt;/a&gt; A lua estava muito branca e era como se um pedaço do céu escuro tivesse sido recortado, deixando um buraco no formato de lua minguante. Foi por esse buraco que a coisa parecida com barata saiu e de onde despencou um Papai Noel que caiu exatamente sobre a piscina da casa onde Leon morava. Por coincidência, ou não, o Papai Noel já estava com uma sunga de natação e nadou até chegar a uma das margens, por onde então saiu e se enxugou com a própria barba. Ao procurar por seu saco de presentes, descobriu que ele havia caído sobre uma mangueira enorme que ficava no jardim, ao lado de um pé de dinheiro. Dirigiu-se até lá e tentou subir na árvore mas, como era muito gordo, não conseguiu sequer chegar ao primeiro galho. Despencou e ficou estatelado no chão, coberto de notas de dinheiro que haviam caído da árvore ao lado. Leon resolveu parar de apenas assistir à cena e decidiu ajudá-lo. Tirou o pijama, vestiu-se com sua roupa de super-homem e desceu silenciosamente as escadas que iam dar numa sala enorme onde havia a porta de entrada da casa, que também era usada como saída. A chave, como sempre, estava na fechadura e bastou girá-la para que a porta se abrisse rangendo. Em poucos minutos estava no jardim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar próximo do Papai Noel percebeu que ele, deitado de barriga para cima, olhava atentamente uma região do céu. Leon virou os olhos na mesma direção e constatou que havia vários discos voadores alinhados, acompanhando uma nave maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eles estão em formação de ataque - disse o Papai Noel. - Decidiram atacar um país do outro lado do mundo cuja bandeira tem um círculo cor-de-rosa desenhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E porque eles vão atacar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Por isso mesmo. Por causa do círculo cor-de-rosa. Eles não suportam círculos cor-de-rosa. As nações do mundo podem usar qualquer figura geométrica em suas bandeiras ou círculos de qualquer outra cor. Mas que não usem círculos cor-de-rosa. Os discos voadores atacam sem pena. E comunicam ao resto do mundo: "Ou vocês estão conosco ou contra nós. E com relação aos que não estão conosco, temos razão para acreditar que são simpatizantes ou colaboradores do país dos círculos cor-de-rosa."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Puxa vida! Eles fazem guerras por motivos tão bobos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Na verdade esses motivos são só para esconder o motivo principal que são as sementes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Sementes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Papai Noel então levantou-se bruscamente e levou a mão até a boca de Leon tampando-a desajeitadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Psiu! Fale baixo - disse ele, sussurrando. - Pode haver espiões. Essas sementes são valiosíssimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Que sementes? - perguntou Leon, esforçando-se para falar o mais baixo possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Da árvore de dinheiro. Dessa mesma árvore que você tem aqui no seu jardim. Você por acaso sabe como são fabricadas essas sementes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Pelo que eu sei, sementes não são fabricadas. Elas nascem nas próprias árvores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Essas são diferentes. São feitas com o suor de milhares de escravos alimentados com BigPlast e Pó de Cola, recolhido em pequenos vidrinhos que são colocados ao sol. Os escravos são sobreviventes dos ataques dos discos voadores. Depois de algum tempo o suor evapora e o que resta no fundo do vidro é um pozinho que é mandado para laboratórios onde é purificado e misturado com outros pozinhos até se transformar numa pasta. Essa pasta é então colocada num molde com o formato de um comprimido e aí temos a semente da árvore do dinheiro. Entendeu o trabalhão que dá produzi-la e porque é tão valiosa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Puxa vida... Eu não sabia. E por falar em não saber, o senhor poderia me dizer o que está fazendo aqui nessa época do ano em que a gente está tão longe do Natal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não me diga! Longe quanto? Você diria uns dez quilômetros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eu diria uns 10 meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Para antes ou para depois?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Para antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Rô, rô, rô... Caí no planeta errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E além disso, essa sua roupa está errada também. Eu nunca ouvi falar de um Papai Noel de sunga. E, além disso, ela nem é vermelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Olha aqui, rapaz. Eu vou te dizer uma coisa... A roupa não é importante. E além do mais eu preciso estar de sunga para fazer a minha aula de natação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– É claro que a roupa é importante. Se o senhor me aparece aqui dizendo que é Papai Noel e veste uma roupa que não é de Papai Noel, como é que eu vou saber se o senhor é ou não é ele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Depende de você acreditar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leon pensou um pouco e, como já tivesse idade suficiente para não acreditar mais em Papai Noel, além da mania de questionar tudo o que lhe fosse dito, resolveu prolongar a discussão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Se você estivesse vestido de Papai Noel, seria mais fácil de acreditar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Mas eu estou vestido. Não está vendo? E além disso, eu tenho aqui um saco cheio de presentes. Tenho, inclusive, alguns para você. Eu só preciso que você me ajude a tirar o saco de presentes de cima da mangueira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Presentes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ausentes é que não são. É claro que são presentes. Qual é a única coisa que se pode esperar de um Papai Noel? Que traga presentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Espera-se também que se vista como um Papai Noel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Isso é secundário, meu rapaz. O presente é o que importa, é o que as pessoas esperam. Será que você poderia subir na árvore para empurrar o saco de presentes aqui para baixo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E se eu cair?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Você sobe nessa árvore todos os dias e conhece cada galho dela. Eu acho pouco provável que você caia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Como é que você sabe que subo aqui todos os dias?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Sabendo, meu rapaz. Saber o que as pessoas fazem é uma das minhas funções. Agora, por favor, faça o que eu te pedi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em menos de cinco minutos Leon subiu na árvore, chegou ao galho onde estava o saco de presentes e deu um chute nele. Foi o suficiente para que caísse no chão feito uma jaca madura. Reinvidicando sua recompensa, assim que desceu, perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E os meus presentes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Tome aqui. De sua tia Ermenegilda, de sua tia Valdirenevalda, de sua tia Alfredina, de sua tia Mariajosina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eu não tenho nenhuma tia com esses nomes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– É claro que tem! Senão elas não te mandariam presentes... E então, não vai abri-los?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leon demorou cinco segundos analisando os pacotes, mas a curiosidade por fim venceu e, ansioso por saber que presentes havia ganhado, abriu o primeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E aí, garoto? O que foi que ganhou de Natal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não é Natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ora, bolas. Então faça de conta que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– É uma cueca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Uau! Sensacional! Eu ficaria felicíssimo se ganhasse uma cueca. E o segundo presente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leon abriu com mais ansiedade, esperando que fosse algo melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Uma cueca também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Rapaz, você é um garoto de sorte. Se as coisas continuarem assim, você provavelmente nunca mais precisará comprar cuecas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– O terceiro pacote também é uma cueca. E o quarto também. Que droga! Por que será que todas me deram cuecas de presente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ué. Para não ficar sem dar presentes. Você não sabia que no Natal todo mundo tem que dar presentes? É uma das formas das pessoas tentarem fazer com que as outras pessoas gostem mais delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Mas eu nem conheço essas tias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Talvez tenha sido por isso que todas tenham te dado cuecas. Se elas te conhecessem talvez tivessem dado algo diferente, como uma palavra rara, ou então um beijo de boa noite na bochecha. Você já ganhou alguma palavra rara?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Como por exemplo nuance. Ou matiz. São palavras coloridas. Ou então fragrância, que é uma palavra cheirosa. Uma vez uma menina chamada Lara me deu uma expressão inteira de presente. Ela me pegou de surpresa num fim de madrugada, quando eu estava entregando os últimos presentes de Natal. Era uma noite de Natal e de verão. A noite já estava começando a ficar azul claro e as estrelas estavam se apagando aos poucos. Quando eu ia colocar o último presente debaixo da árvore a porta da sala se abriu e essa menina, a Lara, apareceu com uma cara de muito sono. Primeiro ela fez uma expressão bastante assustada por me ver ali. Depois o rosto dela se transformou numa expressão de interrogação e foi quando ela disse para mim: "Ué, Papai Noel... O que o senhor está fazendo aqui uma hora dessas? Não é mais de noite. Agora o dia já está esclarecendo". Lindo, né? Ela confundiu “clarear” com ”esclarecer”. Foi um belo presente que eu ganhei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Olha aqui, vamos deixar de lado esse papo furado de Natal e Papai Noel porque eu não acredito em nada disso, tá legal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Então não ia fazer nenhuma diferença se eu estivesse todo vestido de Papai Noel. Você não ia acreditar do mesmo jeito, não é? E quer saber? Estou atrasado para a aula de natação. Foi um prazer conhecê-lo. Tchau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que Papai Noel sumiu pelo buraco deixado pela lua no céu, Leon disse para si mesmo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não sei para quê fazer natação... Aquela barriga não vai diminuir nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E voltou para a casa e para o seu quarto com as quatro cuecas na mão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4638777938346843032-8340881088232504636?l=oquartodashoras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oquartodashoras.blogspot.com/feeds/8340881088232504636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4638777938346843032&amp;postID=8340881088232504636' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4638777938346843032/posts/default/8340881088232504636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4638777938346843032/posts/default/8340881088232504636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oquartodashoras.blogspot.com/2007_07_01_archive.html#8340881088232504636' title='O Papai Noel de sunga'/><author><name>Alfredo Alves Albuquerque</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08253403715219552639</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_x4jZGgZZeaA/SahqkPCJ4rI/AAAAAAAAACY/FHPWiO9Und8/S220/EuPar.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
